segunda-feira, março 06, 2006

Um olhar sobre o Corpo e a Morte


Desde que o Homem se pode chamar Homem, que o corpo e a morte preenchem grande parte do seu pensamento. A morte, o corpo, a morte do corpo, e a tentativa de manter vivo o material e o imaterial.
Desde os primórdios das sociedades humanas que a preocupaç?o com a morte e o tratamento do corpo sobressaem. Será que só evoluímos porque tomámos consci?ncia da morte? Porque é que começámos a cuidar dos nossos mortos? Uma explicaç?o possível podia ser uma esperança ténue de que n?o estivessem realmente mortos, ou que acreditassem que acordariam noutro plano e que precisariam de roupas, comida, utensílios...
O ser Humano é um animal estranho que pensa que pode contornar o inevitável - a morte do corpo. Mas se antes de morrer o homem passasse todo o seu conhecimento a outro? Se escrever um livro? Se realizar uma obra de arte? se deixar viva uma parte de si através de um filho? Se por meio de um qualquer feito deixa a sua marca noutro ser? Será que morremos na realidade? Se...?

Todas as culturas, religi?es e filosofias t?m a sua opini?o e procuram dar as suas respostas a esta quest?o. Umas acham-nos imortais; já outras, que existe vida material para além da morte, e outras há ainda que, acreditam na coexist?ncia de vida imaterial e espiritual numa outra dimens?o ou plano.

Dizem umas que o corpo n?o passa de um invólucro de carne que contém o espirito \ alma e que, ao morrer, este liberta um ser espiritual que seguirá o seu caminho, para outras, o corpo n?o pode ser separado do Ser sem que se perca a sua ess?ncia...

Quanto a mim nada disto está certo ou errado. N?o posso dizer que acredito numa ou outra religi?o, filosofia... eu acredito simplesmente em mim. Penso que as religi?es, filosofias, dogmas... ou o que quer que se lhes chame n?o passam de uma tentativa de explicar o inexplicável, de tentar conhecer o desconhecido, de acalmar as dúvidas das massas e, de certo modo uma v? tentativa de as controlar. Nós somos corpo, biologia, física, química, matéria e aritmética, espaço e vazio, células, ADN, água, matemática e estatística, leis - conhecidas e desconhecidas -, natureza, ?artificialidade?, experi?ncia, viv?ncia, relaç?es... Somos o conjunto de tudo isto e muito mais, somos o resultado de uma soma universal, que ultrapassa a realidade aritmética da soma do funcionamento separado de cada átomo, de cada partícula, de cada unidade constituinte do nosso ser.

No fundo, penso que a morte, como é entendida por muitos, n?o existe. N?o passa da ?morte? de um corpo físico que n?o pode funcionar infinitamente e que dá lugar á vida, ou melhor, matéria que irá gerar nova vida. N?o falo aqui de uma morte espiritual porque acredito que o espirito n?o existe, n?o existe nos moldes que as sociedades nos apresentam. O espirito humano seria a diferença entre a soma das partes, funcionando individualmente, e o todo, ou seja, o Homem completo com todas as suas singularidades e semelhanças, em interacç?o com o exterior e interior, p.e., a nossa consci?ncia, racionalidade, sanidade ou loucura.

Neste sentido o conceito de morte e corpo s?o relativos uma vez que ?nada se perde, tudo se transforma?(sic). Pode n?o se transformar em vida ?ipso facto?, mas pode transformar-se em algo que, mais tarde ou mais cedo, vai culminar no toque ou contacto com a vida, numa metamorfose alargada, se é que de facto existe vida como nós a concebemos,,,
Basta viver para influenciar a espiral que transporta o pensamento humano desde os mais remotos tempos. Deixamos traços que se podem reflectir décadas, séculos, milénios após a nossa ?suposta? morte. Ao corpo já sabemos o destino, só n?o podemos explicar o que n?o conhecemos, podemos somente indagar o que será que acontece com o que sobra da nossa corporalidade. O que acontece ? tal diferença que nos torna Humanos...

Fim

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