segunda-feira, maio 21, 2012

E a saga continua...

Bem, depois de quase um ano a recibos verdes voltei a ser assalariada e a ter direito a férias e afins... será que é desta que fui para casa? ainda não...

Mais um ano longe de casa... começo a ponderar seriamente em adquirir uma auto-caravana (assim estava sempre em casa) visto que virei nómada.



É isso ou emigrar... será que serei uma dos cerca de 60 mil jovens qualificados que abandonaram o país nos últimos 3 meses?

Os salários são curtos para pagar uma renda, despesas e deslocações ao fim de semana e ainda pagar as contas de casa da mamã (pois com estas aventuras não posso dizer que tenha uma casa só minha, não há salário que aguente).

Dada a conjuntura, posso dizer que estou contente porque tenho um trabalho (pelo menos até ao Verão)...

quinta-feira, março 03, 2011

Mudança Radical

Após uma preenchida saga de longas jornadas de trabalho (até cair para o lado) voltei à relativa acalmia e aos famosos recibos verdes que, por ironia, até são meio azulados...

Contudo, não consigo voltar para casa nem à lei da bala.


Daqui a uns meses, emprego perto de casa "procura-se vivo ou morto"

sexta-feira, maio 15, 2009

Bimbi… ou canivete suíço …

Olá a todos, sei que tenho andado muito ausente e praticamente não tenho dito nada …

Espero vir a mudar este padrão J

Voltei para partilhar as minhas aventuras laborais.

Nos últimos tempos a minha vida tem sido um corrupio… digamos que se a minha vida profissional incluísse mais experiências teria a alcunha de Bimbi… ou canivete suíço … Resumindo, parece que me transformei numa verdadeira multifunções.

Passei os últimos tempos a servir cafés, bifanas e cervejas ao pessoal, a fazer reparações e montagem de estruturas (sim, envolve sujar as mãozinhas), passando por trabalhos de prestação de serviços e consultoria em empresas e entidades de renome, manutenção de blogues, desenho de logótipos e suportes de divulgação de informação, formação profissional e claro… não esquecemos a gestão de saúde, higiene e segurança em projectos de construção de renome… cof cof cof…

O meu último ano foi uma verdadeira aventura… Quem imaginaria que afinal tinha perfil para trabalhar na construção civil e metalomecânica? Tudo coisita ligeira. Tenho trabalhado praticamente num ambiente onde parece que o sexo feminino não entra… Exceptuando as meninas da qualidade, ambiente e segurança, claro. Aí dominamos…

O facto de trabalhar num ambiente destes, leva-nos a aprender coisas fantásticas (quando tiver que fazer obras em casa, os empreiteiros que se cuidem), e a ter que explorar outros interesses e horizontes para conseguir ter tema de conversa e não morrer de tédio a olhar para pilares.

Não é que goste particularmente da ideia de ser responsável pela saúde e segurança de centenas de homens com tendências suicidas (pronto, só alguns têm tendências suicidas, os outros são só distraídos) e de andar a fazer piscinas entre Sines, Lisboa, Viseu e Braga, mas não me posso queixar de monotonia no trabalho.

Ontem subi a uma grua torre com cerca de 50 metros de altura… descobri que não tenho vertigens… e que subir aquelas escadinhas a pique durante 50 metros, provoca dores em músculos que nem sabia que existiam.

Por hoje é tudo.

Over and out...

quinta-feira, dezembro 25, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

A evolução do ROUBO...

Pessoal…

Mais uma vez, após sair do posto de abastecimento de combustível, fiquei com a sensação de que ganhava mais se não tivesse que ir trabalhar todos os dias.

Os aumentos absurdos, que os combustíveis têm vindo a sofrer nos últimos tempos, deixam-nos com a sensação de que seria mais barato ser assaltado por um qualquer “agarrado” no caminho para o trabalho do que atestar a nossa viatura. Isto já para não falar da dupla tributação dos derivados do petróleo e dos aumentos anunciados dos bens alimentares de primeira necessidade e tudo o mais.



Moro num local sem transportes públicos acessíveis e no momento trabalho numa zona industrial para lá de onde judas perdeu as botas. Para lá chegar, de preferência sem atrasos, tenho que recorrer ao meu belo carrito. Para tal, grande parte do meu salário vai para a gasolineira mais próxima.

No fim do mês, apercebi-me que apesar de fazer cerca de 50 km diários (fora o resto) gastava inevitavelmente mais de 100€ em combustíveis.

Somando a este valor os descontos para a segurança social, seguro de acidentes de trabalho, serviço de medicina no trabalho e SHST (sim, sou uma das vitimas crónicas dos recibos verdes saltitando de emprego todos os 3 meses e tenho que pagar tudo) e ainda todos os outros encargos (como por exemplo os 100€ para a poder almoçar na cantina, e as despesas básicas que qualquer ser humano tem para “sobreviver” neste país), logo se vê que não pode restar muito no fim do mês.

Por isso do alto dos meus sábios 28 anos, licenciados e certificados, agradeço à minha mãezinha o tecto, a comida e a roupa lavada. Se não fosse ela, a esta hora estaria a morar numa tenda algures…

Vamos ver no que isto vai dar, mas não vejo a curto prazo um futuro brilhante como me prometiam após a saída da faculdade.

segunda-feira, março 06, 2006

Um olhar sobre o Corpo e a Morte


Desde que o Homem se pode chamar Homem, que o corpo e a morte preenchem grande parte do seu pensamento. A morte, o corpo, a morte do corpo, e a tentativa de manter vivo o material e o imaterial.
Desde os primórdios das sociedades humanas que a preocupaç?o com a morte e o tratamento do corpo sobressaem. Será que só evoluímos porque tomámos consci?ncia da morte? Porque é que começámos a cuidar dos nossos mortos? Uma explicaç?o possível podia ser uma esperança ténue de que n?o estivessem realmente mortos, ou que acreditassem que acordariam noutro plano e que precisariam de roupas, comida, utensílios...
O ser Humano é um animal estranho que pensa que pode contornar o inevitável - a morte do corpo. Mas se antes de morrer o homem passasse todo o seu conhecimento a outro? Se escrever um livro? Se realizar uma obra de arte? se deixar viva uma parte de si através de um filho? Se por meio de um qualquer feito deixa a sua marca noutro ser? Será que morremos na realidade? Se...?

Todas as culturas, religi?es e filosofias t?m a sua opini?o e procuram dar as suas respostas a esta quest?o. Umas acham-nos imortais; já outras, que existe vida material para além da morte, e outras há ainda que, acreditam na coexist?ncia de vida imaterial e espiritual numa outra dimens?o ou plano.

Dizem umas que o corpo n?o passa de um invólucro de carne que contém o espirito \ alma e que, ao morrer, este liberta um ser espiritual que seguirá o seu caminho, para outras, o corpo n?o pode ser separado do Ser sem que se perca a sua ess?ncia...

Quanto a mim nada disto está certo ou errado. N?o posso dizer que acredito numa ou outra religi?o, filosofia... eu acredito simplesmente em mim. Penso que as religi?es, filosofias, dogmas... ou o que quer que se lhes chame n?o passam de uma tentativa de explicar o inexplicável, de tentar conhecer o desconhecido, de acalmar as dúvidas das massas e, de certo modo uma v? tentativa de as controlar. Nós somos corpo, biologia, física, química, matéria e aritmética, espaço e vazio, células, ADN, água, matemática e estatística, leis - conhecidas e desconhecidas -, natureza, ?artificialidade?, experi?ncia, viv?ncia, relaç?es... Somos o conjunto de tudo isto e muito mais, somos o resultado de uma soma universal, que ultrapassa a realidade aritmética da soma do funcionamento separado de cada átomo, de cada partícula, de cada unidade constituinte do nosso ser.

No fundo, penso que a morte, como é entendida por muitos, n?o existe. N?o passa da ?morte? de um corpo físico que n?o pode funcionar infinitamente e que dá lugar á vida, ou melhor, matéria que irá gerar nova vida. N?o falo aqui de uma morte espiritual porque acredito que o espirito n?o existe, n?o existe nos moldes que as sociedades nos apresentam. O espirito humano seria a diferença entre a soma das partes, funcionando individualmente, e o todo, ou seja, o Homem completo com todas as suas singularidades e semelhanças, em interacç?o com o exterior e interior, p.e., a nossa consci?ncia, racionalidade, sanidade ou loucura.

Neste sentido o conceito de morte e corpo s?o relativos uma vez que ?nada se perde, tudo se transforma?(sic). Pode n?o se transformar em vida ?ipso facto?, mas pode transformar-se em algo que, mais tarde ou mais cedo, vai culminar no toque ou contacto com a vida, numa metamorfose alargada, se é que de facto existe vida como nós a concebemos,,,
Basta viver para influenciar a espiral que transporta o pensamento humano desde os mais remotos tempos. Deixamos traços que se podem reflectir décadas, séculos, milénios após a nossa ?suposta? morte. Ao corpo já sabemos o destino, só n?o podemos explicar o que n?o conhecemos, podemos somente indagar o que será que acontece com o que sobra da nossa corporalidade. O que acontece ? tal diferença que nos torna Humanos...

Fim

N?o sei para onde vou...


N?o tenho tido muito tempo para desenvolver a ideia de dizer tudo o que penso, nem sei por onde começar...
Politica? Comédia? Cultura? Relaç?es?
Duvidas duvidas duvidas?
Decidi-me pela poesia, este poema de José Régio ilustra a liberdade de express?o e de pensamento e já me acompanha há uns bons anos.
Escolher, bem ou mal, é um direito que nos assiste. Todos devemos pensar pelas nossas cabeças e n?o seguir "encarneirados" o rebanho cego, mudo e surdo da sociedade actual. Errar e ser diferente é um direito e um dever, pois se todos fossem perfeitos, aos olhos de cada indiví­duo o mundo seria ao mesmo tempo mais monótono e mais confuso, visto a utopia de uns ser o inferno de outros.

Cântico Negro

"Vem por aqui" ? dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
N?o acompanhar ninguém.
? Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre ? minha m?e
N?o, n?o vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço n?o vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram m?e;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me d? piedosas intenç?es,
Ninguém me peça definiç?es!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
N?o sei por onde vou,
N?o sei para onde vou
Sei que n?o vou por aí!

José Régio, Poemas de Deus e do Diabo, Brasília Editora, 10? ediç?o,

Lisboa 1984